No decurso do tempo deixamos uma infinidade de coisas para trás, as tais lembranças. Elas representam metafisicamente aquilo que fisicamente e temporalmente não está mais entre nós e nem tão próximo. Há quem tenha lembranças de coisas nem sequer vividas ou vistas, uma tal de saudade do que não existiu. Mas esse assunto eu deixo para outra pessoa.
As vezes me pergunto qual metáfora, dentre as várias que existem, ilustra melhor o tempo. Um rio onde deixamos muitas coisas no seu transcurso, ou uma longa estrada reta onde a todo momento são caidos e erguidas novas formas. Isso só para citar algumas dessas metáforas. É normal que se o tempo for um rio, alguns nadem até sua margem para recolherem o que puderem. E se for uma estrada muitos talvez corram, para nunca serem pegos pelas modificaçõesaceleradas que são implementadas por vários fatores, em sua maioria intempestivos a nossa vontade.
Talvez a metáfora "mor" do tempo seja umrelógio bem acelerado. Impossível de ser acompanhado. Seu efeito sobre nós é a sensação de termos aproveitado nada ou tudo muito rápido. De que estamos ficando velhos, das coisas acontecendo mais rápido. Ansiedade da rapidez, medo do que está por vir. Desespero que quere viver tudo ao mesmo tempo, afinal "o tempo voa". Minutos, segundos, milésimos, muita coisa não acham ? E tudo mentira
Em tempos de globalização a principal ilusão que temos é a do encurtamento de distâncias proporcional ao tempo da velocidade das modificações. Quando na verdade as distâncias são as mesmas, o tempo real sempre será o mesmo, é a distância que nos separa e nossa dificuldade em nos comunicarmos sempre será igual. Estamos tão distantes uns dos outros quando na Idade Média. Espiritualmete e mentalmente cada ainda terá sempre o mesmo tempo de maturação. Não tecnologia que possa romper a barreira do tempo e seus legitimos processos naturais
Cada um tem seu tempo. O relógio jamais vai poder lhe ditar a hora de fazer algo. Não considere as ilusões desse tempo mecânico, tudo o que ele provoca em você é falso. Com exceção da saudade e de alguma melancolia, normias e até saudáveis, em todos aqueles que olham o tempo em si. Medo, angústia e ansiedade não são do tempo. São só sentimentos da crescente necessidade de romper os ciclos do "relógio". Viva o seu tempo.
quinta-feira, 17 de julho de 2008
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Um comentário:
Renato.:
Gostei muito do seu Blog, vc escreve mt bem. Esta na cara que vc será um ótimo historiador, parabéns. Só queria te perguntar uma coisa, quando vc falou que "nós estamos mais distantes um do outro do que na Idade Média" o que na verdade vc quis dizer com isso?
Inté
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